As duas nunca concordavam em nada, 
a semelhança física era inversamente proporcional às opiniões pessoais.
E para completar,
os amigos se dividiam, enquanto uns concordavam com uma,
outros concordavam com a outra. 
E nunca conseguiam se entender.
Por exemplo, hoje,
acordaram juntas, fizeram as mesmas coisas, juntas,
arrumar a cama, banho, trocar de roupa, tomar café da manhã, ir para a aula...
Arrumaram a cama sem dilemas! Tomaram banho na santa paz. 
Mas trocar de roupa é a guerra matinal das duas.
E quando eu digo que nunca concordavam em nada,
meu nunca é baseado em dezenove anos inteiros dedicados aos estudos.
Tenho total conhecimento de causa!
Para ser mais específica,
enquanto uma adorou o look com um short básico jeans, blusa básica preta e uma sapatilha com paetês,
a outra chorava por uma calça jeans preta colada, uma regata bege estampada e uma sandália plataforma.
Uma com rabo de cavalo,
a outra apelava pela boa e velha chapinha.
Uma de batom cor-de-boca, blush natural e rímel,
outra com batom vermelho, abusando no pó-base-corretivo e blush, sombra verde-dourado e rímel.
Uma com uma bolsa pequena, simples,
outra com uma enorme bolsa, cheia de coisas,
uma super atrasada,
e outra nem aí com que horas são,
uma conformada com as três novas espinhas,
a outra indignadíssima com a quantidade absurda de "tumores" que nasceram na sua testa.
As duas poderiam passar horas e horas discutindo e argumentando,
mas já se conhecem tão bem que,
o debate era feito apenas com caras e bocas,
certos olhares, que levariam anos de estudos, para poder ser explicado,
como uma entende a outra.
Bicos que jamais nem Freud, explicaria,
mas, uma e a outra, sabem exatamente o que quiseram dizer.
E se você já conseguiu imaginar até aqui o quão é difícil,
a convivência das duas,
tente me explicar, como conseguem, mesmo que ambas se confrontem sempre,
ficarem chorando por um tempo indeterminado,
olhando uma nos olhos da outra.
E mais,
como conseguem, sem motivo aparente, fazer caretas,
das mais diversas formas assustadoras possíveis,
para rirem juntas,
rindo, chorando, discordando.
As vezes penso que, ambas discordam de tudo,
por causa da mídia, dos outros...
Não por se odiarem, ou não se suportarem,
pelo contrário, se não ligassem tanto para a opinião alheia,
talvez, deixariam o amor brotar.
Sim, amor! Ou você não concorda comigo que elas se amam?
Mesmo que elas continuassem discordando, chorando e rindo juntas,
que passassem a discordar, chorar, rir e ASSUMIR esse INTENSO amor,
para que ao acordarem juntas, tomarem banho juntas, trocassem de roupas juntas,
também se amassem, em cada-intervalo-de-tempo.
O-tempo-todo. Para-todo-sempre.
E se engana, quem achou que estou falando de um amor, homoafetivo...
O amor, que citei, é muito maior e mais IMPORTANTE.
Se chama: AMOR PRÓPRIO.
Uma é você, a outra é o que os outros querem que você seja.


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1 Response
  1. Luiza Says:

    Adorei o texto e sempre com a criatividade a flor da peler :*


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